quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"Antes de mais nada eu gostaria de explicar...


...Segue agora um mosaico de imagens mil"






É. De ontem para hoje, continuo dawn. E, continuo ouvindo Júpiter Maçã, o cara mais chapado da música brasileira. Estou a ouvir "Uma tarde na fruteira" - seu novo disco. 4ªdisco -, para ser precisa. Genial. O disco é fantástico, cheio de misturas, do jeito que eu gosto. O gaúcho é uma injeção de novidade, apesar de não trazer nada de novo. Base copiada lá dos anos 60...70, e recheio de colagens do pop das últimas décadas. Vontade de uma canga colorida jogada na grama, uns incensos, um violão, uns livros vãos, uns amigos...(e pára por aí! por que eu já sou afetada por natureza - e drogas matam).
Penso nas discussões sobre a Mallu Magalhães - é ou não "revolucionária"? - e me incuco. Flávio Basso ( o nome dele) seria um revolucionário? Sinceramente, não sei responder. Seus discos foram todos consagrados no cenário musical brasileiro, e no de fora também. O cara é do Rock. Suas bobagens me fascinam. Suas letras torpes (apesar das últimas não serem tão torpes como as do cd Sétima efervecência : "Quando você der para outro cara/ Lembre-se que alguém se masturba/ Pensando em você”) me divertem:

"Deitado no divã com Woody Allen/Eu tive um sonho com aquele estranho, velho
alien/Que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen" (
A Marchinha
Psicótica do Dr. Soup
)

"Eu deveria parar de beber/Porque ha, eu não estou/Fazendo bem a quem me
ama/Devia me converter ao induismo/Comida vegetariana, mantras e krishna/Ha,
aonde foi parar aquele menino/Que ha, queria cantar como o Beatle
George/Aleluia, hare krishna,Krishna, krishna, aleluia" (
Beatle George)

"De joelhos em minhas preces/Estimulando risadinhas em Mademoiselle"
(
Mademoiselle Marchand)

"Lugares do caralho e gente afudê/Paixões em Liverpool/Saudades do
Jacaranda/A chuva bem fininha da doce Inglaterra/Bastardo da psicodelia/Pictures
and Paintings" (Tema de Júpiter Maçã)

E, o mais importante, ele dá algo novo ao que fazia nos anos 80. Não parou no tempo dos Cascavellettes. Não força a barra da nostalgia. Mas, acho que me incomodo quando dizem que ele é um revolucionário. Surrealismo não inalgura mais. Brasilidade não é mais raridade. Mistura, tampouco.
Então, ficamos assim. Faz parte da nova safra da nossa música. É ótimo. É psicodélico. Diverte quem queria ter nascido décadas atrás. Mas, não toca fundo. Fica para os momentos de deprê acentuada e "eu-vou-me-libertar".
Ps: post desconexo completamente na tendência do Júpiter.








terça-feira, 25 de novembro de 2008

Miss Lexotan, garota

Detesto momentaneamente quase tudo que vejo. Naaaaaaaaaaada bem. É frio, é lindenbergue alagada, é final de período, é salto quebrado, é muro caído, é namoro furado, é amigo que te espanta. E o dia e o espelho que insistem em te fazer existir. Resistir bravamente, sempre digo.

E ouvir Júpiter Maçã. Psicodelia e experimentação, para curar o ódio, passar a vontade de cuspir na tua cara, abrir a mente. É realmente bom. Mistura Beatles e Mutantes.


"Miss Lexotan 6mg":

olha que letra moderna:

"...O nome dela é:ta ta ta ta ta Miss Lexotanta ta ta ta ta Miss Lexotan Garota
Ela era atriz no underground hoje ela posa de modelo fotográfico
é frequentadora assídua do templo Hare Krishnamas
mesmo assim ela não fica leve
mas mesmo assim ela não fica leve
Miss Lexotan 6 miligramas"


Agora ninguém me segura. e eu nem tenho um sapato vermelho.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Motão do mal!!!

Nada melhor do que no final de um dia cansativo você estourar seus ouvidos e seu corpo com um autêntico Rock'n'roll. Sozinho, na casa de um amigo, ou naquela festa onde você sabe que
vai exagerar, sabe que vai gritar, bater a cabeça, e os pés, até amanhecer.



Passei anos odiando aqueles pratos ensurdecedores e aquele vocal desesperado. O "barulho" ficava ao meu entorno, não entrava de jeito algum. Ficava no meu popular, no meu jazz, na minha bossa, e, de vez em quando, no blues. Até que um dia - um belo dia -, tive o insight da minha vida. O Rock'n Roll não bateu nos tímpanos e voltou. Entrou e fez a festa aqui dentro, se tornou visceral. Muito mais do que uma música, uma banda ou um som pesado. O Rock exige uma ambientação. Na verdade, Mentira! Rock não exige nada. Só sem exigência nenhuma, sem preocupação musical, sem ansiedade, se pode absorvê-lo. E, quando isso acontece, é libertador.


A música de meu insight é "God Was Never On Your Side", do Motorhead, com participação do guitarrista do Poison CC DeVille. Quem me mandou o Mp3 já estava há tempos tentando me fazer entender o sentimento do rock. Ele levou um susto quando eu disse que havia adorado. "Uma balada do mal", disse. O som é pesado. A letra é pesada. Mas os violões sujos e ao mesmo tempo cheios e delicados, o baixo distorcido, as guitarras nervosas e a voz de poder de Lemmy despertam um não-sei-o-quê incrível. O refrão é orgástico. A sensação é de que você pode tudo.




Depois dessa, veio "Orgasmatron". Para mim, a música mais sensual de todos os tempos - apesar da letra ser calamitosa, quase uma anunciação do armagedon. A bateria é inconfundivelmente constante e sacana, assim como o baixo. Juntos, fazem a regurgitada melodia parecer sair de algum pub deliciosamente devasso.


Não perde não...



Tá aí. Heavy metal e punk rock em medidas certeiras, e com uma certa erudição. Ar de excelência. A música do Motorhead é viva, e tem alma que toca fundo quem a ouve.



Mas chove muito pela cidade, e meus fones de ouvido quebraram. Então fico aqui, em casa, sozinha, nessa sexta-feira à noite, ouvindo Bossa. Porque, Rock em volume baixo, não dá.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Wanessa Camargo: farsa ou revelação?

Não gostava dela, e com razão. No início da carreira, Wanessa deixava muito a desejar. Eu estaria sendo ridiculamente surda se discordasse desse fatão.

No inicio de carreira, ainda rechonchuda, cantando "My Heart Will Go On" na Hebe Camargo:



Dueto infeliz com Ivete Sangalo, com uma tentativa mortal de segunda voz:



Ai meu estômago!


Só que esforço e dedicação são duas palavras mágicas. Nesses oito anos de carreira, a menina não apenas emagreceu, amadureceu, casou e cortou o cabelo. Ela também aprendeu a cantar. Perdeu muito daquele "carregado" - no popular - na voz. Está mais suave, fluindo melhor, e, o mais importante, dentro das linhas certas do pentagrama.


Interpretação imperdível de "Como Nossos Pais", no programa Altas Horas:





Wanessa Camargo canta Piece of My Heart, Janis Joplin:



Progresso notável. Nada mal.

Por isso me dói quando ouço críticas ao trabalho da Wanessa (como nas alfinetadas do blog Que Pasa?). Sei que a primeira impressão é a que fica, sei que para mudá-la ainda resta um longo caminho. Mas as pessoas só precisam se desarmar e parar para ouvir direito.


PS: há boatos de que a cantora se mude para NY. Zezé di Camargo contou ao Folha Online que "ela já está até em contato com pessoas ligadas à Madonna". Menos, Wanessa. =)

PS²: Até o final das postagens, ponho algo meu aqui ;=

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Preta GIl se rendendo ao poder de Kelly Key e Perlla

Não bastasse a brincadeira sem graça de Paula Toller cantando kelly Key...

Preta Gil cantando "Baba" e "Tremendo vacilão"

(bem que poderia ter cantado uns 2 tons acima, e ensaiado a letra, Pretinha...)


Se liga, Preta, não é só você que arrasa no cover por aí não, oks?

Conheço uma turma que se esforça... =P

No vídeo, coral super erudito cantando clássicos da nossa música.

Qualquer semelhança fisionômica é mera coincidência.


sábado, 8 de novembro de 2008

O bom do coral black

"My life, my love, my all", de Kirk Frank - o cantor 'toptop' do black gospel americano de quem falei no post passado:

ps: pra quem não curte MESMO música cristã, vale a pena se desapegar da letra e viajar na melodia e magestosa harmonia dessa canção. É lindíssima, e muito bem arranjada. Para quem gosta de canto coral, um prato cheio. Aliás, quando conheci essa música, foi nesse contexto, cantando em coro. E nem era coral de igreja.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Kirk Franklin - Quem foi que disse que tem que ficar parado?

15 anos de carreira, três Grammys, sete prêmios Dove Awards, paradas da Billboard e 12 milhões de Cds vendidos pelo mundo.





An? Não conhece?

Pois o nome dele é Kirk Franklin, um dos nomes mais fortes da música gospel contemporânea mundial. Isso mesmo, gospel. Mas, calma, você não se enganou pela aparência. Kirk é sim cantor de Hip Hop. Hip Hop, R&B, rock moderno, jazz, pop, gospel. Kirk queria fazer um som que mesclasse os estilos que ele ouvia aos arranjos gospels tradicionais. E são essas múltiplas influências que o tornam cérebre e dono de um som próprio e que ultrapassa as barreiras de raça, gênero, classe ou denominação.

"Sou de uma geração que está cansada de ficar quieta. Me recuso a permanecer por detrás das paredes da religião, busco a verdade, aquela que somente se encontra
em Deus e não nas opiniões dos homens. Livre-se dos estereótipos de cor, idade,
denominação ou passado: se você acredita em Jesus Cristo e que há um só Deus, e
se a verdade cala fundo em você, grite, adore, aplauda e dance comigo."
KirkFranklin


E ele dança, pula, grita! Nada daqueles louvores mornos e posturas recatadas. Lembra daqueles filmes americanos de sessão da tarde, retratando os corais potentes e dançantes das igrejas protestantes? Pois a música de Kirk tem muito disso.


Dê uma olhada em "Hosanna", do disco The Rebirth of Kirk Franklin:



Notou a semelhança? Nessa música,
dona de um arranjo fantástico, as vozes são encadeadas perfeitamente. É uma das
'top' dos corais, cristãos ou não, principalmente em épocas natalinas. E a
energia do maestro? Arrasa!


Outro ótimo exemplo é "He reigns", medley entre God de Rich Mullins e He reigns, do próprio Kirk Franklin. A música é uma quebradeira de funk com frases de salsa, e a apresentação performática do maestro é bastante alegre. Veja o Vídeo:



Criado por uma tia distante, o multiartista aprendeu desde cedo os valores cristãos e foi dentro da Igreja Batista Mount Saint Rose que teve seu interesse musical aflorado. Aos 4 anos, começou a tocar piano, e, aos 11, já era Ministro de Música de sua igreja, regendo o coral adulto e arranjando músicas.

Em 1992, Kirk quis realizar seu sonho de projetar uma nova sonoridade à música gospel americana. Rrecrutou então músicos e coristas talentosos e formou o grupo The Family, que neste mesmo ano lançou com ele seu primeiro álbum: Kirk Franklin & The Family. Gravado ao vivo, o disco inovava mesclando R&B, rock, hip-hop, pop, jazz e gospel tradicional. Sucesso! Ficou 100 semanas no Top gospel da revista Billboard e foi o primeiro álbum do gênero a vender mais de 1 milhão de cópias.


Em seu segundo álbum, K. Franklin Christmas in Family (1995), de músicas natalinas, 500 mil cópias vendidas em 4 semanas.

No terceiro, Watcha Lookin’ 4 (1996), disco de platina por mais de 1 milhão de cópias e nada mais nada menos do que o Grammy Awards pelo Melhor álbum de música contemporânea Gospel, além de outros títulos como Stellar Awards, e NAACCP Image Awards.


Depois veio o God's Property, e com ele o Grammy Award 1998 por Melhor Álbum Evangelho por um coro. A faixa “Stomp”, foi nomeado para o Grammy de Melhor Performance R&B por Grupo com Vocal R & B e Melhor Canção.


Para não quebrar o clima, o álbum Nu Nation Project (1998) faturou disco duplo de platina, ultrapassando a faixa de 2 milhões de cópias vendidas. Também ganhou o Grammy Award de Melhor Álbum Evangelhico de Soul Contemporâneo e foi nomeado para Melhor Álbum Projetado. Este disco contou com a participação de Bono Vox, vocalista da banda U2, na faixa "Lean on me" (linda, mas super We Are the World =P), nomeada para o Grammy de 1999 como Música do ano, Melhor performance R&B por um Duo ou Grupo com Vocal R&B e Melhor canção.

Lean On me, com Bono Vox, Crystal Lewis, R. Kelly e Mary J. Blige :





Em The Rebirth of Kirk Franklin (2002), Kirk mesclou gravações em estúdio e ao vivo, que o consagraram como sendo uma referência importante no cenário da black music mundial. no melhor estilo da música hip hop contemporânea. O álbum, que traz participações especiais de Crystal Lewis e Alvin Slaughter, esteve em quarto lugar nos Estados Unidos e só na primeira semana vendeu 91 mil cópias.


Desse álbum, minha preferida é "Brighter day", groove de primeira e com deliciosa brincadeira do vocal com o refrão no final da música:

Brighter day

Kirk Frank é um artista que não deixa nada a desejar a outros nomes da Black Music, e ainda traz a fé, a sensibilidade e a entrega na música.

“Isto não é um show. Esta é a verdade, e isso
que eu quero expressar a vocês”.

K.F