Os dias andam gélidos aqui, daquele jeito que não há notícia boa, presentes da vida,
abraços de amigos, Pessoa, brigadeiro ou Coca-Cola que esquente. Não é saudade,
nem sentimento de falta, é só um frio no peito mesmo. Deitada na cama e com o
pensamento longe, comecei a balbuciar automaticamente uns versos que eu nem
lembrava mais: “... There's a saying old, says that love is blind”. Introspecção!
Levantei, tirei o rock da estante e procurei lá no fundo se eu ainda tinha aquelas
músicas, daqueeela época, em que a blogueira falava baixo, pisava leve, e ouvia jazz.
Minha busca cessou quando a encontrei.
Ninguém menos do que Ella Fitzgerald, maravilhosa cantora de jazz,
norte-americana. Ignorei suas letras de amor, e me agarrei na sua voz. E que voz.

A voz doce de Ella tinha tantos recursos que parecia flutuar sobre as melodias e letras. Até hoje ninguém conseguiu percorrer as escalas ascendentes e descendentes com o swing dela. Não respirava ao ocupar espaços entre as notas e soltava o ar ‘na medida’ na junção das palavras (Maria Rita adora), dando um toque aveludado e diferente às linhas melódicas. Sua voz encaixava-se perfeitamente, tanto a uma big band como a um trio piano/baixo/bateria (que Maria Rita, antes de virar piriguete, também adorava) parecendo outro instrumento.
Ella, que influenciou o Bebop, não foi apenas a rainha dos scats (cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e sílabas, como se fosse uma improvisação de solo instrumental usando somente a voz), foi a melhor intérprete de baladas. E, para mim, foi também a melhor cantora de Jazz da história - apesar de Sarah Vaughan também ter o seu lugar.
Mas como nem tudo são flores, Ella sofreu muito antes de gozar de extremo sucesso. Depois de ter passado a infância apanhando do padrasto, ter perdido a mãe aos 14 anos e ter virado ‘porra-louca’ na adolescência - onde foi viver nas ruas de Nova Iorque cantando em troca de gorjetas - Ella decidiu, aos 17 anos, participar de um show de calouros no Apollo Theatre, no Harlem. Ganhou o primeiro prêmio: duas semanas se apresentando no teatro. Mesmo assim, o gerente simplesmente vetou o seu direito, porque a achou “muito feia”. A jovem passou então a cantar de graça em pequenos grupos, até que foi achada por Chick Webb, que a orientou e fez de tudo para que ela cantasse em sua banda.
Daí em diante tudo deu certo. Com 19 anos foi considerada pela crítica americana a primeira dama do jazz, o que a levou a ser contratada pelo 'bam-bam-bam' musical Norman Granz, integrando o grupo Jazz At The Philharmonic. Granz torna-se seu empresário e, em 1956, produz vários songbooks seus, uma dádiva para tantos compositores. Sua voz deu vida e emprestou emoção aos versos de Cole Porter, Gershwin, Irving Berlin, Duke Ellington, Tom Jobim (um dos seus preferidos), entre outros.
Ella é única, e faz um beeem! Se você não acredita, experimente...
Alegre e vibrante, cantando "Desafinado", de Tom Jobim:
Mas também romântica e profunda, como na emocionante interpretação de "Cry Me a River", com Joe Pass:
Ella, que influenciou o Bebop, não foi apenas a rainha dos scats (cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e sílabas, como se fosse uma improvisação de solo instrumental usando somente a voz), foi a melhor intérprete de baladas. E, para mim, foi também a melhor cantora de Jazz da história - apesar de Sarah Vaughan também ter o seu lugar.
Mas como nem tudo são flores, Ella sofreu muito antes de gozar de extremo sucesso. Depois de ter passado a infância apanhando do padrasto, ter perdido a mãe aos 14 anos e ter virado ‘porra-louca’ na adolescência - onde foi viver nas ruas de Nova Iorque cantando em troca de gorjetas - Ella decidiu, aos 17 anos, participar de um show de calouros no Apollo Theatre, no Harlem. Ganhou o primeiro prêmio: duas semanas se apresentando no teatro. Mesmo assim, o gerente simplesmente vetou o seu direito, porque a achou “muito feia”. A jovem passou então a cantar de graça em pequenos grupos, até que foi achada por Chick Webb, que a orientou e fez de tudo para que ela cantasse em sua banda.
Daí em diante tudo deu certo. Com 19 anos foi considerada pela crítica americana a primeira dama do jazz, o que a levou a ser contratada pelo 'bam-bam-bam' musical Norman Granz, integrando o grupo Jazz At The Philharmonic. Granz torna-se seu empresário e, em 1956, produz vários songbooks seus, uma dádiva para tantos compositores. Sua voz deu vida e emprestou emoção aos versos de Cole Porter, Gershwin, Irving Berlin, Duke Ellington, Tom Jobim (um dos seus preferidos), entre outros.
Ella é única, e faz um beeem! Se você não acredita, experimente...
Alegre e vibrante, cantando "Desafinado", de Tom Jobim:
Mas também romântica e profunda, como na emocionante interpretação de "Cry Me a River", com Joe Pass:
Ouvi-la dá vontade de cantar, chorar, e fechar os olhos...
5 comentários:
Lendo um texto assim, tão sinestesicamente bem escrito dá até vontade de ouvir mesmo.
Vou seguir o conselho, Panda!
e Maria Rita pirigueteando em Vitória agorinha mesmo! Eu até queria ir... =/
OMFG, isso que é cantora... ;)
Sua expressão da música dela está muito boa. E com observacoes técnicas sobre a voz. Gostei
Também gosto dela, e seu etexto ficou muito rico.
quer pra sempre ouvir jazz comigo?
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